Relacionamento

“Vou adicionar você no meu Orkut”, “Me add no seu MSN”. Essas e outras frases são cotidianas e comuns no universo social de crianças e adolescentes usuários de redes de relacionamento como Facebook, MySpace, You Tube, Orkut. Tão comuns, a ponto de se tornarem alvo de preocupação de famílias e educadores quanto à atual fragilidade das relações humanas e dos laços afetivos e, principalmente, em relação a segurança dos pequenos. Embora, tenha seu lado bom, como todas as outras ferramentas tecnológicas, esses serviços não oferecem segurança e causam dependência. Talvez questionar o uso dessas redes possa ser um primeiro passo para compreender essa mudança social.
Para Rossana Cardoso, assessora da Área Tecnológica da Editora Positivo, apesar da mudança no relacionamento entre pais e filhos ter sofrido mudanças significativas nas últimas décadas, essa não é a causa primária da busca pelas amizades e contatos virtuais. Ela levanta a hipótese de que crianças e adolescentes busquem comunidades virtuais, mais pela necessidade humana de viver em comunidade, do que propriamente pela “ausência” dos pais. “As famílias têm cada vez menos filhos, consequentemente menos primos e parentes jovens. Nesse caso, pais são intimados a participar mais da vida dos filhos na tentativa de atender à carência vigente de relacionamentos e oferecer oportunidades diversificadas de convívio”, explica.
Com isso, pais e educadores se veem diante da dúvida: como proteger os pequenos dos vários riscos existentes? Para Hélio de Abreu, advogado especializado em Direito Digital e Segurança da Informação, para proteger é preciso conhecer as armadilhas do ambiente virtual. “Mesmo possibilitando o reencontro de velhos amigos, conhecendo novas pessoas, trocando experiências e tornando seu mundo mais acessível neste momento da vida (a adolescência), em que sair de casa pode representar risco de acidentes, roubos e outras ameaças, ficar em casa conectado também requer muita atenção e orientação”, alerta. Ele ressalta ainda que: “Os pais têm um papel fundamental na formação da criança e são responsáveis pelos seus atos na vida real e virtual”.
Para que crianças e jovens, usuários de sites de relacionamento tenham proteção para usufruir desse ambiente, pais e educadores precisam tratar desse assunto com discernimento e muita seriedade, de acordo com o advogado. “O mundo tende a ficar cada vez mais virtual e os limites impostos na vida real também são válidos neste novo mundo”, afirma ele, que complementa: “Devemos aproveitar para mostrar os benefícios infinitos da era eletrônica que, se utilizados de forma racional e ética, só nos trarão vantagens, basta que estejamos sempre atentos aos mal intencionados e pessoas que não são do nosso convívio diário. Simplesmente deixar o filho acessando a internet para que possa ter sossego não é a postura mais adequada, a orientação dos pais com relação a como se portar via on-line é essencial”, orienta. “É papel de pais e educadores atuarem conjuntamente nesta ‘luta diária’ para orientar nossos jovens a usar de forma responsável e consciente a internet”, finaliza o especialista.
PROTEÇÃO NO MUNDO VIRTUAL
O advogado Hélio de Abreu indica alguns softwares gratuitos disponíveis. “Para o ambiente de escola o Websense e para o uso doméstico, recomendamos o Trend Micro Internet Security. Ele já é antivírus, firewall e controle de pais integrado”, explica. O produto está disponível no http://br.trendmicro.com/br/products/personal/internet-security/. Ele ressalta, porém, que “apenas as ferramentas tecnológicas não são suficientes para garantir a segurança em tecnologia da informação. Deve haver um acompanhamento dos pais e educadores para ensinar nossos jovens a se protegerem dos riscos da internet”, afirma. Juntamente com Guilherme Guimarães dos Santos, também especialista em Direito Digital e Segurança da Informação, o advogado Hélio desenvolveu o “Guia prático para o bom uso da internet”, uma cartilha de orientação para pais e educadores com foco pedagógico, que tem o objetivo de ensinar os jovens a lidar com a tecnologia de forma simples e segura, levando ao seu conhecimento, bem como de pais e professores, quais são as implicações jurídicas advindas do mau uso da internet, as formas de ataque ao computador e dicas de prevenção. O guia pode servir como manual básico para pais e educadores e está disponível gratuitamente pelo link: http://www.marianiesantos.com.br/guia_internet.pdf.
LAÇOS QUE PROTEGEM
Uma dica de leitura interessante sobre relacionamentos em rede é o livro “Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zygmunt Sauman." O autor investiga de que forma as relações tornam-se cada vez mais ‘flexíveis’, gerando níveis de insegurança sempre maiores e, principalmente, reforça a prioridade a relacionamentos em ‘redes’, as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade, fazendo com que não saibamos manter laços a longo prazo. Bauman faz um alerta de que isso pode prejudicar as relações familiares, amorosas e também a capacidade de tratar um estranho com humanidade.
Extraído da Revista A&E – Atividades e Experiências