Chupeta ajuda ou atrapalha?



Como milhões de mães em todo o mundo, a jornalista curitibana Michele Danileiu e sua filha Giovanna, de um ano e dois meses, vivenciaram a fase da chupeta. Sem muito tempo para ficar com a filha, devido à profissão, ela procurou orientação do pediatra para enfrentar esse período. Qual não foi sua surpresa ao ser orientada para dar a chupeta? “O médico disse que seria positivo para o desenvolvimento da criança e me orientou a ir substituindo aos poucos por outras atividades”, conta.

A experiência da jornalista reflete o cotidiano de muitas famílias, trazendo à tona a questão dos hábitos infantis. Até que ponto eles são adquiridos pelas crianças ou impostos pelos pais? Usar chupeta pode prejudicar a dentição ou o desenvolvimento psicológico da criança? Para sanar essas e outras dúvidas, a saída é procurar orientação de especialistas.

Sugar é um hábito infantil, tanto na amamentação como no uso da chupeta, ajuda a acalmar a criança, podendo afetar todo seu desenvolvimento. No entanto, de acordo com a psicóloga Ana Beatriz Guimarães, essa fase não deve ser um momento para os pais fugirem dos problemas e anseios dos filhos, já que os hábitos estão muito mais ligados aos pais do que à criança. “Às vezes a resistência em largar a chupeta é também uma forma de chamar a atenção, e os pais devem estar atentos a isso”, diz. “É necessário que os pais parem e se questionem se estão prestando atenção às necessidades dos filhos. Será que estou dando a chupeta para que não me incomode? Eles devem olhar mais a criança e perceber mais a necessidade dela. Desse modo, o uso da chupeta será apenas uma fase e não um problema”.

A fase da chupeta também é um momento oportuno para os pais imporem limites aos filhos e vivenciarem de modo saudável o seu desenvolvimento. “Nessa etapa, é de suma importância conversar com as crianças e, principalmente, saber que irão crescer e precisarão ter autonomia. Criamos filhos para o mundo e não para nós. Devemos entender que filhos amados, que recebem afeto e carinho, serão adultos melhores”, reforça a psicóloga.

Dá a chupeta, dá a chupeta

Para a odontopediatra Graziela Cristina de Oliveira, o dilema chupeta tem solução na boa administração do hábito. A oferta da chupeta pode ser feita ao término da mamadeira, da amamentação e até a criança adormecer. “Depois, a mãe deve tirar a chupeta. O ato de sugar desenvolve os músculos faciais e, no momento do sono, ela não deve executar esse exercício”, explica.

“Na fase oral até os três anos, é importante dar a chupeta à criança. Porém, a frequência deve ser limitada pela mãe. Ela não deve nunca amarrar na roupa da criança, nem deixar tão disponível”, alerta Graziela. Segundo ela, as crianças podem utilizar a chupeta no primeiro ou segundo mês de vida, e deve ser removida a partir dos dois anos e meio. A indicação para todos os casos é o uso da chupeta ortodôntica. “É a melhor porque ela se assemelha ao bico do seio. Mesmo assim deve ser utilizada com cautela”, recomenda.

Se a criança não desistir da chupeta nessa faixa etária, a primeira atitude é fazê-la se desinteressar. “Os pais podem fazer isso por meio de muito carinho, diálogo e atenção. A troca tem que ser interessante para ela”, diz Graziela. Por isso não se deve nunca usar um sabor na chupeta, nem molhar no refrigerante ou no açúcar. “Isso remeterá a algo ainda mais prazeroso, sendo ainda mais complicado o afastamento posterior”, complementa a odontopediatra.

Extraído da Revista Atividades & Experiências

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