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No dicionário Aurélio, mudança é o ato ou efeito de mudar que, por sua vez, quer dizer remover, deslocar, transferir para outro local, alterar, modificar, variar, transformar, converter, sofrer alteração, modificar.

Mudar envolve capacidade de compreensão e adoção de práticas que concretizem o desejo de transformação. Isso é, para que a mudança aconteça, as pessoas precisam estar sensibilizadas por ela. O processo de mudança é despertado pela vontade, que se torna projeto e finalmente ação.

Perceber a dinâmica das mudanças é uma necessidade. Viver atualizado é uma questão de sobrevivência e uma maneira de visualizar melhor o futuro, já que os novos tempos exigem uma nova postura de pensamento. Existe um mundo que estão acabando e outro que está começando, e as pessoas, naturalmente, costumam lidar com isso de maneira defensiva, com temor ou rejeição, na maioria das vezes. Para promover transformação é necessário ter muita coragem, força e autocrítica. É um tema atual em que uma nova ordem mundial está ditando transformações na sociedade. A crise financeira mundial que está desestabilizando economias.

No ambiente de negócios da atualidade, cada vez mais as mudanças exigem quebra de paradigmas que implicam em verdadeira revolução na cultura das organizações. Essa revolução reordena prioridades, redireciona valores, muda conceitos de certo e errado, apresenta novos focos de interesse, e indica maneiras diferentes de reagir quando metas não são alcançadas.

Desde que nascemos estamos inseridos no processo de mudança. Porém, acontecimentos pontuais são determinantes para nossas ações e reflexões: perda de emprego, morte de pessoas queridas, ausência de saúde, acidentes... Todos os dias nos deparamos com o inesperado, o eventual, o aleatório, antessalas da incerteza. Mas não admitimos que as coisas sejam assim. Ainda alimentamos a esperança de controlar definitivamente, de algum modo, a incerteza. A incerteza é o padrão funcional da vida, do universo, pontua o sociólogo Ruy Paz. É nela e por ela que crescemos, evoluímos, movimentamo-nos. Não raro, diante de grandes acontecimentos catastróficos, fazemos grandes inflexões existenciais, repensamos nossas vidas. Percebemos que precisamos uns dos outros, que existimos para a fraternidade, sem anularmos nossa singularidade. Devemos enfrentar as adversidades, não com conformismos, mas com consciência crítica de que elas estão aí para nos alertar sobre o necessário equilíbrio móvel que organiza o existente. Vida é movimento e movimento é incerteza, finaliza Ruy Paz.

Por que desestabilizamos diante de alguns fatos e acontecimentos? Para garantir segurança? Rotina é ruim? Não. Organiza a vida. Contudo, podemos fazer a rotina de maneira diferente. O poema Mude, de Edson Marques, nos traz muitas referências para não fazer do hábito um estilo de vida, tentar o novo todo dia, novo caminho para o trabalho, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, a nova vida. A tentativa de novas possibilidades e experiências nos sensibiliza para a percepção do espaço em que vivemos pelos sentidos. Quanto mais possibilidades de desenvolvimento dos sentidos, mais aptos estaremos para perceber o mundo e nos relacionar melhor com as pessoas. Nossas ações têm objetivos e intenções, e dessa forma modificamos o espaço em nossa volta. É uma possibilidade de preparação para grandes eventos da vida com mais tranquilidade e harmonia.

Liege Gasparim – Coordenadora Pedagógica Regional da Editora Positivo

Extraído da Revista A&E – Atividades e Experiências, nº 11

18/06/2010

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