Ao Pé da Letra



A influência da experiência escolar na vida e carreira do músico Arnaldo Antunes é tão grande que ele não hesita quando é questionado sobre um “professor inesquecível”. Sem titubear, ele responde: Gilson Rampazzo. Antunes teve aulas de Redação com Rampazzo na década de 70, quando estudou no Colégio Equipe. Já apaixonado por letras, ele conta que foi nessa época que começou a publicar os primeiros poemas e trabalhos em antologias organizadas pelo professor Rampazzo.

“O Segundo Grau foi muito marcante para mim. Os professores estimulavam muito a criatividade dos alunos e isso foi essencial para a minha formação”, revela. A vida escolar, aliás, foi fundamental para desenvolver a sua personalidade criativa, conforme ressalta o artista. E não por acaso. Nascido em uma família grande – de seis irmãos – e filho de um professor, ele passou os primeiros anos escolares no Luis de Camões e depois no São Domingos. A relação das disciplinas com as artes foi fundamental para estimular o artista nos primeiros anos escolares, já que havia um incentivo das escolas para o que ele mais gostava de fazer: desenhar e escrever.

Em 1975, Arnaldo começa a estudar no Equipe e passa a desenvolver um extenso trabalho artístico, literário e musical. Foi na escola, por exemplo, que fez “Temporal”, um filme em super 8 de ficção, com 40 minutos de duração. O ambiente escolar também propiciou o contato com pessoas que futuramente estariam ligadas ao seu trabalho, como Serginho Groissman, que organizava mostras de cinema na escola, e outros músicos como Branco Mello, Sérgio Britto, Paulo Miklos, Ciro Pessoa, Nando Reis e Marcelo Fromer.

Nessa época e com essa efervescência de atividades escolares, Antunes começou a compor e a escrever. Publicou sua primeira novela, “Camaleão”, quando estava no 2º ano do Ensino Médio. O trabalho foi impresso na gráfica da escola. Em 1978, Antunes começa a cursar Letras na USP, e no ano seguinte é transferido para a PUCRJ. Se envolve ainda mais com o cinema e a música e com performances artísticas. Além disso, é nessa fase acadêmica que Antunes começa a produzir livros artesanais e a inscrever suas composições em festivais de música.

O seu primeiro livro oficial, “OU E”, um álbum de poemas visuais, editado artesanalmente, foi lançado em 1983, mesma década que o músico passa a fazer parte dos Titãs, banda que influenciou gerações e marcou a história da música brasileira. Paralelo ao trabalho com a banda, o músico continuou compondo e lançando trabalho solo e com outras parcerias. Publicou dezenas de livros e tem outros projetos na área de literatura e música ainda inéditos e que devem ser conhecidos – e publicados – em breve. E para quem gosta da sua música, ele acaba de lançar “Iê Iê Iê”, seu décimo álbum solo, uma mistura de surf, music, Jovem Guarda, a primeira fase dos Beatles, Twist, Rita Pavone e todo um repertório da cultura pop. Criatividade e inspiração é que não faltam para o artista.

Kátia Michelle Pires

Extraído da Revista A&E – Atividades e Experiências, nº 10

Data: 11/06/2010

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